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Sexta-feira, 20 / 09 / 2019
DIA DAS MÃES
Gratidão: filhos que inverteram os papéis e tiveram que retribuir os cuidados e os carinhos de mãe

Data da notícia: 2019-05-10 18:53:01
Foto: Assessoria/Divulgação
Cimeia dedica seus dias para cuidar da mãe, dona Nair, que ficou acamada por conta das sequeles do AVC

Zelo, carinho e dedicação costumam estar associados à imagem materna. Elas criam, educam e estão ao lado dos filhos quando eles adoecem. Chega um momento, entretanto, que os papéis se invertem. As mães passam a ter problemas, envelhecem e passam a precisar cada vez mais do cuidado dos rebentos.

Agora, nos Dia das Mães, vamos mostrar alguns deste casos, com histórias de filhos que “assumiram o lugar das mães” e que, atualmente, vivem esse momento de atenção. É o caso de Cimeia que acredita que seja uma mulher privilegiada, por comemorar o Dia Das Mães ao lado de dona Nair e de seu filho, de 1 ano e 9 meses. “Eu sinto um privilegio grande de poder cuidar dela, por que ela cuidou de mim e hoje eu posso cuidar dela. Eu tenho o privilegio de ter ela junto comigo e de cuidar dela”, afirmou.

Mesmo com as dificuldades que eles vêm superando nesses cinco anos, a família não deixará o Dia das Mães passar em branco. “Eu queria que ela não estivesse acamada. No Dia das Mães, a gente sempre fez uma festinha e continua fazendo, mas não é o quanto era antes. Mas, mesmo assim, eu como filha me sinto honrada de fazer algo que ela goste. Fico triste [pela situação], mas alegre por ela estar conosco”, destacou Cimeia.

Cada segundo em que mãe e filha passam juntas é valorizado pela família. Cimeia deu um recado para que as pessoas valorizem a presença das mães. “Quem tem sua mãe, cuide. Por que é muito bom a gente ter a mãe ao nosso lado. Eu tenho o privilegio de ter minha mãe e gostaria que todos os filhos tivessem suas mães do lado. Então, cuidem enquanto ela está viva, por que a melhor coisa é a gente ter a nossa mãe”, disse Cimeia.

A Agência Brasil também produziu reportagem onde mostra que o produtor musical Rodrigo de Freitas que há cinco anos mudou de cidade e deixou a atividade profissional para se dedicar exclusivamente a cuidar da mãe, Anunciata de Freitas, de 83 anos. O avanço da idade trouxe o Alzheimer e, quando ela ficou viúva, Rodrigo sentiu que era o momento de retribuir o carinho que recebeu ao longo de toda a vida. “A qualidade de vida que eu trouxe para ela, com a presença familiar, não tem preço. Se você puder cuidar dos seus pais, cuide, eles fizeram isso por você”, ensina Rodrigo.

Ele conta que sempre teve uma relação muito próxima com a mãe e, quando ela precisou, não hesitou em começar a viver uma nova realidade. Ele fez dois cursos de cuidador de idosos e estuda para entender melhor a doença da mãe.

Mesmo com a ajuda de cuidadoras, é Rodrigo quem assume as preocupações típicas de uma mãe com os filhos como alimentação, cuidados de higiene e horários de medicação. Rodrigo diz que o respeito pela mãe continua o mesmo, apesar da “troca de papéis”.

Ele afirma que ainda a trata por “senhora”, mas conta bem-humorado que às vezes precisa dar umas “broncas”. “Ela não queria comer. Aí eu falei: se não comer, não vai ter sobremesa”, relembra o produtor musical. “Minha relação com ela continua da mesma forma, tenho o mesmo respeito, só que, agora, quem gerencia a casa sou eu”, completa.

Envelhecimento

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o envelhecimento da população vem em uma curva crescente. Em 2010, o percentual de pessoas idosas era de 7,32%. Nas projeções do instituto, este índice deve chegar a 9,52% este ano e, em 2060, a 25,5%.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), cresceu o número de pessoas que cuidavam de parentes em 2018. No ano passado, 54 milhões de pessoas de 14 anos ou mais cuidaram de parentes, moradores ou não do domicílio, o que corresponde a uma taxa de 31,8%. As mulheres são as quem mais se ocupam desses cuidados. De 2017 para 2018, a taxa das mulheres permaneceu em 37% e a dos homens passou de 25,6% para 26,1%.

Inversão de papéis

Um quadro de demência também mudou a rotina de mãe e filha da professora universitária e escritora Cinthya Amaral, de 45 anos. A mãe, Miriam Amaral, de 69 anos, começou ter falhas de memória, sair de casa e não saber voltar, além de deixar de lado os cuidados pessoais. Aos poucos, as necessidades foram aumentando até que Miriam ficasse totalmente dependente de ajuda.

Cinthya já não morava com a mãe e conheceu um novo tipo de inquietação. “Aquela preocupação que mãe tem com filho de sair de casa, de perigo, tudo isso começou a inverter. Eu passei a ter esse medo, essa angústia”, conta. “Também passei por aquela situação de quando filho está doente e a mãe larga serviço correndo para cuidar. Tive que fazer isso um dia quando estava dando aula num sábado à tarde e ninguém sabia onde ela estava. Dispensei os alunos todos para acudir.”

Com a rotina de trabalho apertada, a alternativa de Cinthya foi colocar a mãe em uma clínica onde Miriam tem atenção de profissionais em tempo integral. A preocupação com a mãe, no entanto, continua constante, afirma.

Há cerca de cinco anos, dona Nair Rodrigues sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e, desde então, necessita de atenção especial, como alimentação, exercícios e higiene. A filha, Cimeia Rodrigues, dedica seus dias para cuidar da mãe, que ficou acamada por conta das sequelas do AVC.
“Ela precisa de bastante cuidado, atenção, alimentação no horário certo, banho e remédio. Tudo tem um horário e uma dedicação bem grande por ela. Ela não pode ter outro AVC, então eu dedico o meu cuidado com a minha mãe, para que isso não venha a ocorrer de novo. E eu dedico toda essa preocupação que eu tenho por ela. Eu dedico pra ela, por que mãe é uma só. Então meu cuidado com ela é muito grande”, declarou.


Fonte: Marco Bernardi e Agência Brasil


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